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Suicídio: Um desespero silencioso

6 de outubro de 2016

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A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. Certamente, esse pedido de socorro, não seria convertido em morte, caso alguém tivesse escutado. Mas muitas vezes, o grito de desespero de alguém que está em sofrimento é silencioso. A dor é tão grande que parece não haver saída e nem sequer chances de receber ajuda, então o indivíduo se cala e passa a planejar o fim de seu sofrimento. É preciso que exista atenção e sensibilidade para interpretar sinais, pois normalmente, o suicida dá muitos sinais, e de forma indireta pede ajuda. Todo ser humano é passível de um ato suicida, estão todos sujeitos ao sentimento de desesperança, e não há quem saiba se será possível lidar com o que a vida reserva. Portanto, a sociedade precisa conhecer e falar abertamente sobre o tema.

A ideação suicida  contempla idéias e desejos de morrer, o conteúdo dos pensamentos de um suicida é alimentado negativamente, gerando tristeza e desesperança. Comumente, um suicida vê-se preso em seus conteúdos negativistas e sozinho não encontra forças para cessar o doloroso processo. A morte torna-se aparentemente a saída possível, mas é o início de um ciclo doloroso. Esse ato gera uma série de impactos na vida das pessoas ao redor: culpa, remorso, desestruturação emocional e familiar… Outros suicídios.

Dentre os fatores de motivações para o suicídio identifica-se conflito interpessoal afetivo, englobando tanto conflito com companheiro(a) quanto com familiares. Também é observada a ocorrência de problemas sócio-econômicos, que inclui questões profissionais e financeiras, acarretando principalmente aos homens.

Quando o indivíduo atenta contra a própria vida, busca-se nesse ato extremo a solução drástica para um vazio devastador, para um fracasso pessoal, relacional ou financeiro, ou ainda, tenta-se cessar situações de abuso físico ou psicológico, situações humilhantes ou vexatórias. Entende-se portanto que, o ato desesperado não objetiva interromper a vida, e sim a dor.

Todo ser humano carrega em si o potencial para a empatia, e é possível através de uma postura empática, enxergar, cuidar e amenizar a dor do outro. Precisamos realmente falar sobre suicídio e cuidar mais uns dos outros.

 

Elke do Pilar Nemer Pinheiro, Carolina Batista e Yara Luiza Braguínia são psicólogas da clínica psiquiátrica UNIICA – Unidade Intermediária de Crise e Apoio à  Vida

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